Tradições são coisas que não se explicam

Tradição de Natal
Tradições são coisas que não se explicam

Este ano aconteceu-me aquela coisa que nunca pensei que me acontecesse – passar o Natal fora de Lisboa.
Que tortura não?
E para mim que amo o Natal e cada uma das tradições por mais tontas ou absurdas que sejam, imaginem o sofrimento.
NatalO casamento é isto dizem, para mim nunca foi, o casamento para mim nunca foi um sacrifício, sacrifício é tortura e não um casamento.
Acredito que o casamento é para gerar felicidade constante, deve ser aquilo que nos faz melhor e nunca o que nos faz o pior.
Por isso durante 13 anos apesar de ninguém perceber eu fui feliz a passar em Lisboa e o Tomás fora.
Feliz a ver todos os pais natais de Lisboa, cada um dos mercados de Natal, a decorar a casa e nos dias de Natal a passar os dias na cozinha que ADORO
Natal
Este ano não houve nada disso, nem um mousse fiz imaginem, nada. E em vez de passar o dia a cozinhar, passei o dia em bares com música de discotecas e a comer e a beber. Se alguém entender esta tradição me diga.
Passamos a tarde de 24 de bar em bar a comer e a beber e depois vamos jantar e  já tudo mais para cá do que para lá. Não há meia noite, não há pai natal, não há bacalhau e nem grãos. O amor do meu marido comprou bacalhau marinado e figos com nozes para não me sentir tanto em Marte.

Em vez de passar o dia 25 a ver o Sozinho em casa com a minha avó a amargurar os ladrões e a adorar o momento que eles sofrem como se fosse a primeira vez, passamos 10 horas sentados à mesa, como se um ritual de integração se trata-se.

Confesso que me dói o cu de tantas horas sentadas e acho que já tenho a cabeça verde de tanto fumo e tantas conversas cruzadas.

Tradições são mesmo isto coisas que não se entende. E eu a pessoa que não faz as coisas só porque são tradição: casei num break de almoço numa sexta feira, o meu vestido de casamento tinha vermelho, não fiz enxoval e não me apego a coisas.

Mas o Natal é aquela coisa que puxa por a única tradição que adoro e adoro cada uma. Não amo bacalhau, mas nem considero comer outra coisa no Natal, não gosto de bolo rei, mas não faz sentido não existir na minha mesa.
Nunca vejo filmes com os meus pais, nem avó e nunca repito filmes  e no Natal passamos o dia a ver filmes que já vimos 1000 vezes e parece que é a primeira.

Há pouca explicação para gostar destas coisas mas até sinto que o meu conforto fugiu por não as ter.
Estranho não? Isto por não ter casado com produto nacional.
Quem me manda?