Estamos magnificamente instalados como ainda não tinhamos estado, com piscina e praia perto e Bali é sempre um sitio mistico e só isso já é retemperador.
, ir à praia e engordar todos os quilos que já tinhamos perdido, pois a comida da Indonésia é uma perdição.
power of now oasis – Yoga classes
Temos tido tempo para relaxar, ler, escrever
power of now oasis – sala
Temos conseguido fazer Yoga num sitio magnifico e mesmo como eu gosto, local aberto e com o som do mar – http://powerofnowoasis.com
E claro todos os dias uma massagem também a 3€ 1 hora quem não faria todos os dias ???
Li o meu 7º livro – Family Tree uma magnica história de racismo onde menos se espera.
Mas os prazer gourmet têm sido a minha maior perdição, a comida indonésia é qualquer coisa de maravilhoso .. e tenho-me perdido por estes sabores … ainda bem que estou a fazer Yoga a ver se compenso.
Em 2007 vim à Indonésia pela primeira vez visitei Bali e Lombok e fiquei apaixonada por este país, principalmente por Bali.
Em 2007 eramos um casal solteiro, sem filhos e cheios de vontade de viajar.
Em 2015 voltamos, casados, com 2 filhos e muito tempo para viajar e mais vontade ainda de o fazer, durante todos estes anos temos ouvido o quanto Bali está destruido, cheio de turistas, caótico … mas não foi o que vimos quando chegamos.
Bali sempre foi caótico, agora tem auto-estradas o que demonstra que tem crescido, mas continua o paraíso que eu conheci, o cheiro do país é o mesmo, um cheiro que adoro e dificil de definir, o cheiro é consequência das oferendas constantes aos deuses que estão nas portas dos templos – um cheiro único.
As casas continuam a ser lindas, os restaurantes de sonho e a comida de babar.
Começamos a nossa viagem de Bali por Sanur numa casa do Homeexchange linda.
Chegamos exaustos, a viagem até aqui foi do mais desgastante pois quando chegamos ao aeroporto não encontravam o nosso bilhete, claro estava marcado para a mesma data em 2016, como é possivel fazer um disparate destes ??? O stress da antecipar deu nisto e deu em horas no aeroporto, muita choraminguice, espera até à última que um voo que estava em overbooking tivesse 4 lugares livres mesmo no fim do checking lá nos deixaram embarcar não sem antes atirar para a rua mais 400 doláres ( custou mais esta viagem, que vir de Lisboa até aqui), mas não havia nada a fazer e pelo menos em Bali não estamos a pagar hotel.
Chegamos assim a Bali exaustos, chateados, irritados e ainda tivemos que negociar um táxi até Sanur com os aldrabões dos táxis.
Pelo caminho a raiva começa a dissipar-se pela beleza deste país e quando entramos na nossa Villa tudo ficou para trás.
Uma tipica casa Balinesa em roda de um jardim e de uma piscina fantástica.
Saimo spara jantar e a felicidade é plena num pequeno Warung com pratos a 1€, quem diz que isto não é o paraíso tem um conceito de paraíso diferente do meu. A comida é deliciosa como só a comida Indonésia sabe ser e que tantas saudades tenho quando estou em Portugal. Comemos quase sem falar e a lamber os dedos no fim. Os miúdos só diziam, gosto disto, muito bom.
Acabamos a noite com uma massagem de 40 minutos por 3€ e a fazer compras para o pequeno almoço de 8 dias por 6€.
Chegamos à villa e fiquei tranquilamente a ler até às 2 da manhã no nosso jardim ….
Timor é realmente um país difícil de viajar assim resolvemos antecipar a nossa ida para Bali por diversas razões: custo de vida 10 vezes mais baixo e é impressionante pois são países que estão lado a lado, dificuldade de viajar em Timor ( aluguer de carro carissimos e transportes públicos maus e nada de fiar).
Assim resolvemos deitar mais uma vez dinheiro à rua e antecipar a viagem a bali o que nos custou 400 dólares, mas a verdade é que mais 8 dias aqui nos ira custar só em carro 1 000 dólares e hotéis por menos de 60 dólares é impossível de encontrar.
Em Bali arranjamos mais uma troca de casa o que nos permite estar estes 8 dias numa villa linda em Sanur por custo 0, e de um luxo impossível de imaginar.
Aproveitamos os últimos dias em Dili para explorar os restaurantes junto à praia de Areia branca onde o destaque vai para o Papaya, magnifico restaurante que junta libanês com tailandês mesmo dentro da praia, a não perder.
Visitamos também a Chega exibition que está situada numa antiga prisão e relata todos os massacres que se viveu em Timor dos 24 anos da invasão Indonésia, uma visita de arrepiar.
Fomos também ao museu da Revolução um fantástico museu com toda a história de Timor muito bem retratada.
Ambos os museus são de sair de lá a tremer com todas as histórias horríveis de tortura e morte dos Indonésios aos Timorenses e tudo isto com o mundo todo a ignorar durante 24 anos o que se passava neste país que tem a desgraça de estar tão longe de tudo.
Estima-se que nestes 24 anos morreu 1/3 da população e isto foi há menos de 15 anos.
Visitamos também o Tais Market para comprar um Tais de lembrança e lembrar-me para sempre dos serões enrolada aos Tais em Topu Honis, depois de muita discussão conseguimos comprar um por 18 dólares.
Passeiamos e deambulamos pelas ruas de Dili de forma a não perder nenhuma pitada, esbarramos com este cartaz que diz muito de Timor.
interior normal de um táxi em Dili
Andamos e andamos de Táxi que é a única coisa barata em Timor e nada agressivo de negociar, mas o estado dos táxis é lastimável.
E assim me vou despedir com elevada nostalgia deste país que tanto mexeu com as minhas emoções; levo um Tais, uma boneca de Atauro e a recordação de um povo muito afável..
Foram 6 noites numa praia paradisíaca e numa cabana mesmo dentro da praia.
Deu para descansar, relaxar, ler, fazer Yoga na praia e nunca o meu nível de stress esteve tão em baixo.
O hotel era mesmo na praia uma cabaninha do mais básico, mas muito agradavel claro que com casa de banho partilhada e sem chuveiro confesso que esta mania Timorense não me consigo adaptar.
Decidimos também que vamos antecipar a nossa ida para a Indonésia pois Timor é um país muito caro e nada fácil para viajar.
Agora iriamos para Este mas a única solução era alugar um carro que custa no mínimo 115 dólares por noite mais o hotel o que tornaria insustentáveis as próximas 2 semanas.
Os autocarros existem mas apenas vão até Baucau e Com e ficam longe de tudo e como não há depois facilidade de táxis tornava-se difícil viajar com a opção de transportes públicos.
Assim no dia 31 vamos para Bali e alargamos a nossa estadia nesta ilha que já conhecemos e que todos dizem que vamos apanhar um choque porque depois do filme Eat, pray, love teve um boom.
Nós estivemos lá em 2009 mesmo depois do atentado praticamente não havia turistas e os preços eram baratíssimos vamos ver o que encontramos.
Amanhã saímos assim de Atauro apesar de o mar estar bastante mau esperamos que a viagem não o seja e vamos para Dili onde passaremos as 2 noites de despedida de Timor.
Ps- Já li o 6º livro Las Edades de Lulu um livro erótico e do mais louco que alguma vez li, teoricamente há um filme tenho que o ver quando voltar. Está a ser fantástico esta licença em leituras, pois já li em 3 linguas e estou a ler o que nunca tenho tempo para ler quando trabalho, é um verdadeiro prazer
Atauro tem um mar que é um verdadeiro jardim de corais e a diversidade de peixes é impressionante fazer snorkelling aqui é impressionante.
Num dos dias que estamos a fazer snorkeling o David descobre golfinhos, 3 fantásticos mesmo ao pé de nós é realmente uma perola este mar.
Sábado é dia de chegada do barco de Dili, o mesmo que nos levou a Oecussi – Nakroma (este barco persegue-nos) e por isso há um mercado gigante onde se vende tudo mesmo junto ao grande acontecimento que é a chegada do barco.
A praia também se transformou completamente de uma praia paradisíaca com 4 ou 5 pessoas para uma praia de fim-de-semana, com quilos de barcos a trazerem mercadoria para o mercado, pessoas só a verem a chegada e depois a partida do Nakroma.
Às 3 horas depois de novamente colocarem tudo o que se pode imaginar dentro dele e 3 x acima do número de capacidade em pessoas, a praia volta a ser o paraíso que tanto gostamos.
A comida no Barry’s continua a ser deliciosa e hoje tivemos um atum gigante grelhado que nos deliciou …
Entretanto em Oecussi terminei o meu 6º livro e já vou a meio do 7º. “Muito mais que uma princesa” um livro maravilhoso sobre o amor verdadeiro …
Depois da experiência mais rica das nossas vidas voltamos para Dili e aproveitamos esse dia para nos organizar: lavar roupa ( tudo estava imundo); comprar produtos de higiene ( tudo tinha acabado) e aproveitar para jantar num belo restaurante e matar as saudades de belas refeições.
Agora é também tempo de conhecer Timor e assim decidimos que o próximo destino seria Atauro Island uma ilha em frente em Dili que tem excelentes praias e mergulho, no fundo é o que precisamos: relaxar, descansar e recuperar as noites mal dormidas de 3 semanas.
A passear na pista de aterragem do aeroporto de Atauro
Tudo em Timor exige muito esforço pois não há turismo logo é muito difícil organizar qualquer coisa e como tal para arranjar um barco que nos leve a Atauro Island que está a 40 km de Dili também foi um desespero, finalmente lá nos conseguimos infiltrar num barco que tinha sido fretado pela Policia e 3 horas depois chagamos a Atauro ao Barry’s Lodge.
Pelo caminho tivemos o espetáculo de ver uma baleia a cruzar-se no nosso caminho o que foi indescritível e alguns golfinhos o que fez da viagem um espetáculo maravilhoso.
Barry’s Lodge é o local perfeito para relaxar com cabanas mesmo em cima da praia era mesmo o que estávamos a precisar.
A água é de uma transparência impressionante e o snorkeling é maravilhoso mesmo na praia com corais maravilhosos, quilos de peixes coralinos; o Nemo até se torna comum aqui….
A comida no Barry’s está incluída e tem sido surpreendente, bom peixe grelhado e umas excelentes saladas esta fantástica comida está claramente a fazer-me recuperar os quilos perdidos … que pena.
Passamos os dois primeiros dias aqui a relaxar, a fazer snorkeling e fomos visitar a vila ( 4 casas), mas que tem um projeto de solidariedade social fantástico com as mulheres de Atauro a fazerem umas bonecas de trapos lindas, sendo que o dinheiro reverte a 100% para elas eu já comprei uma … a Estrela (o David deu o nome) que nos irá acompanhar no resto da nossa viagem.
O mais impressionante que nos aconteceu em Atauro é que voltamos a encontrar o casal holandês e temos passado uns excelentes serões com eles… daqui sairá claramente uma amizade.
Back to civilization
Depois da experiência mais rica das nossas vidas voltamos para Dili e aproveitamos esse dia para nos organizar: lavar roupa ( tudo estava imundo); comprar produtos de higiene ( tudo tinha acabado) e aproveitar para jantar num belo restaurante e matar as saudades de belas refeições.
Agora é também tempo de conhecer Timor e assim decidimos que o próximo destino seria Atauro Island uma ilha em frente em Dili que tem excelentes praias e mergulho, no fundo é o que precisamos: relaxar, descansar e recuperar as noites mal dormidas de 3 semanas.
Tudo em Timor exige muito esforço pois não há turismo logo é muito difícil organizar qualquer coisa e como tal para arranjar um barco que nos leve a Atauro Island que está a 40 km de Dili também foi um desespero, finalmente lá nos conseguimos infiltrar num barco que tinha sido fretado pela Policia e 3 horas depois chagamos a Atauro ao Barry’s Lodge.
Pelo caminho tivemos o espetáculo de ver uma baleia a cruzar-se no nosso caminho o que foi indescritível e alguns golfinhos o que fez da viagem um espetáculo maravilhoso.
Barry’s Lodge é o local perfeito para relaxar com cabanas mesmo em cima da praia era mesmo o que estávamos a precisar.
A água é de uma transparência impressionante e o snorkeling é maravilhoso mesmo na praia com corais maravilhosos, quilos de peixes coralinos; o Nemo até se torna comum aqui….
A comida no Barry’s está incluída e tem sido surpreendente, bom peixe grelhado e umas excelentes saladas esta fantástica comida está claramente a fazer-me recuperar os quilos perdidos … que pena.
Passamos os dois primeiros dias aqui a relaxar, a fazer snorkeling e fomos visitar a vila ( 4 casas), mas que tem um projeto de solidariedade social fantástico com as mulheres de Atauro a fazerem umas bonecas de trapos lindas, sendo que o dinheiro reverte a 100% para elas eu já comprei uma … a Estrela (o David deu o nome) que nos irá acompanhar no resto da nossa viagem.
O mais impressionante que nos aconteceu em Atauro é que voltamos a encontrar o casal holandês e temos passado uns excelentes serões com eles… daqui sairá claramente uma excelente amizade; amanhã eles voltam depois de 6 meses a viajar e claramente nos encontraremos ou na Holanda ou em Portugal
Podia dizer que tudo foi uma maravilha que adorei cada minuto, mas não é verdade.
Noemia em Topu honis
Foi duro, desgastante a barreira linguística dificultou muito e confesso que a futilidade ocupou muitos minutos do meu pensamento:
– Tive saudades da minha casa, da minha casa de banho do meu conforto que nunca valorizo, mas que senti falta
– Tive falta de muita comida e sei que eles fizeram um esforço gigante para nos dar o melhor até vinho arranjaram para o jantar, tivemos carne 2 vezes e pelo que percebi isso só acontece no Natal aos miúdos por isso fomos uns verdadeiros privilegiados
– Senti falta de fazer algo, passear, ter o” me time”
Houve imensos imprevistos que não facilitaram a cruzada:
O dia que íamos embora da montanha para a semi – civilização, já mortinhos por internet; praia; restaurantes, cancelam o barco porque é o final do ramadão o que nos obrigou a ficar mais 4 dias na montanha, sem nada; confesso que ficamos deprimidos durante um dia, nem boa companhia para os miúdos fomos; já estávamos prontinhos para descer – que desilusão
A feliz Tutela – Topu Honis
A vertente religiosa e zen do Topu Honis muitas vezes colidiu com a minha forma energética e de falta de fé
A falta de eletricidade desesperou-nos em muitos momentos mas também sabíamos que era um gasto gigante e ele ligava 1 hora só para nos satisfazer
Os quilos de piolhos na cabeça que de certeza infestaram as nossas
E claro o não haver internet, telefone nada …
Mas apesar disto tudo adorei !!! Quem diria !!! Adorei cada minuto com os miúdos, aprendi que o pouco faz muito e foi um prazer gigante vê-los repetir a cada minuto os jogos que lhes ensinamos; as músicas que aprenderam…
Fiquei a “Tanta Carla” o nome mais carinhoso de todos os tempos .
Noemia a brinca – Topu Honis
Ao final da noite, todos os dias, era a competição de quem ficava ao nosso colo e quase adormeciam no colo; essa era claramente a atividade favorita deles.
Todos queriam apenas um minuto de atenção e algum carinho mesmo que fosse de uns estrangeiros que eles sabem que vão acabar por ir embora e se calhar nunca mais os veem.
Numa das noites Tutela tentava a todo custo perceber para onde íamos a seguir o padre dizia em segundos ela vai oferecer-se para ir convosco e no fundo é o que querem serem adotados como os sortudos 6 que já foram, seja por quem for.
No fundo querem uma família mesmo que não saibam o que isso significa.
Aqui estivemos mesmo dentro dos costumes de Timor sentimos as dificuldades do país, da população que todos os dias vinha pedir consolo; conselhos ou uma reza ao padre pelos problemas que tinham. Vimos também gigantes diferenças culturais e saímos todos mais ricos, todos com sentimentos diferentes, todos com experiências diferentes; mas com a certeza que nunca nos vamos esquecer destas semanas intensas.
Puzzle time in Topu Honis
A despedida foi com quase lágrimas nos olhos ( não queríamos ser nós a chorar) e a Arica ficou a chorar num canto e nem se veio despedir. Eu confesso que nem quis grandes despedidas porque estava com o coração do tamanho de um caroço.
Não sei se os verei mais, não sei quanto tempo se irão lembrar de nós, mas sei que nunca irei esquecer estas meninas e meninos que tantas gargalhadas nos deram, no fundo vim para aqui para fazer algo que realmente importe e acho que estas crianças deram bastante mais que eu …..
Aqui em Kutet temos um quarto bem melhor há 4 camas o que permite que cada um durma na sua… claro que metade dos miúdos quiseram dormir na porta do nosso quarto mesmo que isso implique dormir no chão … impressionante …
Durante a noite acordo mil vezes pois o padre vai à casa de banho a cada 2 horas .. mas mesmo assim dormi muito bem nestes dias em Kutet.
O dia a dia à a brincar com eles e confesso que consegue ser esgotante, mas também maravilhoso; todos os miúdos são híper dados e só querem estar connosco nem que seja a olhar.
Com o avançar dos dias vamos criando mais proximidade e até já lutam pela nossa atenção.
A língua é o único entrave apetecia-me falar com eles horas, mas o meu pouco Tetum; Meto ou Indónésio e o pouco deles de português e inglês faz a nossa comunicação ficar por gestos e meias palavras.
As histórias dos miúdos são todas de muita pobreza, muitos filhos e incapacidade de os pais tomarem conta de todos, claro que métodos contracetivos para aqui é algo que nem é considerado.
Também há vítimas de violência claro, muitas vezes consequência do álcool a Rosita e o Júlio passaram a vida a ser espancados e ameaçados de morte pelo seu pai; a mãe ia tentando protege-los como conseguia, mas um dia teve que se ausentar e o pai trancou-os em casa e disse que quando volta-se era para os matar..Rosita e Júlio conseguiram fugir e chegar a Topu Honis, quando a mãe voltou já não quiseram voltar; são dois dos miúdos mais bem-dispostos da casa.
As idades é um campo do oculto aqui todos os miúdos dizem que têm 11, mas é claro que não têm por isso vão orientando-se pelo ano que frequentam na escola.
As noites são passadas com danças e a aguardente; ou então a vermos fotos do passado da casa; e os miúdos sempre connosco claro
Há alguns meninos que já foram adotados nesta instituição e o padre é bem aberto para isso, para já porque como ele diz nunca nenhum pai se opõe e todos dão autorização, para estes país a quantidade de filhos é um problema e não veem os filhos como nós.
Num dos dias entraram 2 meninos novos, a mãe tinha morrido e o pai não conseguia tomar conta de todos e entrega 2 na minha cabeça só martela, como é que ele escolhe os 2 que entrega? Segundo o padre são os mais novos porque podem trabalhar menos … se calhar são os que terão mais sorte e a rejeição é um golpe de sorte.
Estivemos completamente fora do mundo tecnologicos nos ultimos dias num lugar perdido – Topu Honis que nos deixou o coração apertados, nos próximos dias vou contar tudo.
Hoje levantamo-nos ainda de noite para ir para a montanha para a vila de Kutet.
Carregamos o jipe até não haver mais espaço tanto em número de pessoas como em malas e caixas e iniciamos o caminho…caminho é mesmo a melhor expressão que se pode aplicar à “estrada” que nos leva até lá que em situação normal eu diria que era intransitável.
Demoramos 1hora e 50 para fazer cerce de 15 km, por isso imaginem o caminho.
E chegamos a um local ainda mais perdido do que o que estávamos o que é realmente impressionante e quase impossível de pensar… o conceito de aldeia são 2 palhotas e a instituição está no meio do mato, onde só há porcos, cabras e mato…
A casa tem mais ou menos a mesma estrutura que a anterior, pequenas casas com vários quartos dentro.
Desta vez tivemos direito a um quarto com 4 camas o que implica já um grande upgrade.
As casas de banho é que ainda conseguem ser pior porque o “banho” é ao ar livre …. Ai que saudades da minha casa de banho…
Com os miúdos aqui não é preciso 3 dias para eles se aproximarem ou querem fazer algo tivemos o dia todo a brincar com eles e esgotei todas as minhas brincadeiras: jogo da cadeira, peixinho, mimica, macaquinho do chinês … jogamos tudo.
Os miúdos são apaixonantes e não nos deixam nem um minuto sozinhos; claro que já estamos apaixonados por uma Tutela .. Que caracter … eu leva-a já comigo…
À noite conseguimos colocar um filme para todos verem na TV… que atenção destes 40 miúdos ao ecrã tudo estava congelado a olhar para o ecrã.
Hoje chegou o padre Richard e combinamos ir apenas amanhã para Kutet o que é fantástico … porque aqui já estamos hiper enturmados; os muidos já perderam a timidez e medo inicial e já passamos toda a tarde a brincar com eles … as meninas naturalmente são as que já estão mais à vontade.
A tarde foi passada a jogar às cartas numa batotice louca ….e ao final conseguimos mobilizar todos para um final de tarde na praia … ao fim de uma semana finalmente estamos complementamente dentro.
Durante a manhã a Lili a que irá substituir o padre esteve a contar-nos que os meninos aos principio estavam apreensivos porque nós eramos portugueses .. acham normal ?? E porquê .. porque todos os portugueses que conheciam chegam e começam a dizer mal de tudo, com o nariz em pé e a colocar o dedo a ver quanto pó há … como é possivel vir para um sitio destes assim??? Não entendo … claro que há pouco, claro que estamos habituados a muito mais, mas eles dão tudo o que têm.. abrem as portas da casa e na comida dão tudo do melhor que têm.
Claro que também tenho saudades de carne, de peixe e fruta, mas estou cá de livre vontade … Claro que adoro àgua corrente e desejo uma bela casa de banho, mas não faço cara feia à deles e os meus filhos que têm 9 anos também não … porque os portugueses têm que ter esse ar de hiper importantes que odeiam tudo e não se misturam ??? Quando muitas vezes essas mesmas pessoas são infelizes daqui à China … Que vergonha ser essa a imagem que têm do meu pais.
Perguntavam à Lili de certeza que não são Australianos? Não podem ser portugueses ….
A verdade é que eu também fujo dos portugueses quando viajo e a principal razão é mesmo essa … não se misturam, tudo é pessimo, todos são barbaros e pouco inteligentes, na casa ao lado do Orfanato estão 4 portugueses destacados por 1 ano e meio e eu fujo deles, não me apetece nada a tugada de dizer só bem de Portugal e aqui é um inferno …
Sim é um pais que não tem nada, não há muito para fazer .. mas eu vim de livre vontade … e estou feliz como não me lembro à muito, e relaxada …
Foi um dia hiper produtivo brincamos, fomos à praia, passamos o dia todo com todos.
Fomos jantar com o padre e havia batatas .. quase que choreiii ao vê-las …E depois de jantar convidaram-nos para provar o licor Timorense… no fundo decidiram … vamos embebedar estes tugas .. era alcool puro … bebi dois e fiquei com uns calores.. eles mijavam a rir .porque eu digo que não aguento .. que se cair ali me têm que levar … e riem que nem loucos e vão enchendo o copo .. dizem you got power …
Foi um final de noite fantástico com o staff e os miudos mais velhos, a beber, a comer doces e pipocas vindas da Argentina (tive que vacilar aqui), todos a contarem histórias e claro a quererem saber tudo sobre nós.
Oferecemios hoje o computador que irá para a Augusta que está a tirar contabilidade ( fico contente que seja para ela é uma das minhas favoritas), entregamos os 420 doláres que tenho a certeza que vão em muito fazer a diferença e todo o material escolar que trouxemos e os livros. Mais uma vez obrigado a todos os que ajudaram o Father Richard agradeceu muito e pediu para eu agradecer a cada um dos que ajudaram.
Hoje soubemos a história de toda esta instituição que é das coisas mais maravilhosas que ouvi, mas isso vou contar tudo num posts próprio.. posso dizer que conheci um verdadeiro heroi … ainda escreverei muito sobre ele, tenho uma semana para tirar todas as informações.
A felicidade e a satisfação é plena, finalmente sinto que realmente podemos fazer a diferença… queria ainda fazer mais, amanhã um novo desafio nos espera.. iremos estar ainda mais remotos, no meio da montanha e com os mais pequenos, mais exigente também.
Durante a próxima semana não saberão de mim porque ai nada de internet, mas na 5ª feira voltamos para aqui para os mais velhos.